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sexta-feira, 24 de maio de 2013

É impressão minha ou as pessoas estão deixando de ir ao cinema?

Com exceção dos namorados de pouco tempo, moradores de pequenas cidades e estudantes, será que alguém aí tem ido ao cinema ultimamente?

Começa pelo preço do ingresso. A boa e velha reclamação de que, se todos pagassem o preço justo, não precisava ter meia-entrada pra ninguém. Isso é reclamação de recalcados que não são mais estudantes, mas, enfim, continua sendo válida.

Com a nova febre cinematográfica do 3D, os ingressos ficaram mais caros e perdemos muito do conforto. Eu fui uma entusiasta do 3D, antes de conhecê-lo melhor. O primeiro filme que vi foi "Rio". Adorei, achei lindo, fantástico. Mas quando vi outros filmes, especialmente os que não são de animação, percebi que a tecnologia não é tão avançada assim. Ou, pelo menos, a tecnologia  que tive acesso. Talvez em outras salas de cinema a qualidade seja muito melhor. Afinal, Juiz de Fora ainda é uma província. A minha opinião com relação ao 3D é que é cansativo, dói a cabeça, os olhos e é nojento saber que estou usando um óculos que já foi usado por milhares.

Por falar em preço, alguém já fez o cálculo da margem de lucro da pipoca do cinema? Acho que é o negócio mais lucrativo do mundo. Poxa, um saco de milho de pipoca custa R$1,50, dá pra fazer, pelo menos, uns 20 sacos de pipoca média (daqueles vendidos na lanchonete dos cinemas). Cada pacote desse é vendido por, no mínimo, R$7.  Calculando... 20 x 7 = R$ 140,00. Ou seja, 9.333,33% de lucro! Nada mal, hein?!

Isso porque joguei por baixo os valores!

Bom, mas pra não dizer que sou mesquinha, sovina e coisa e tal. Não falemos mais em dinheiro.

Praticidade é o segundo ponto que desanima ir ao cinema. Estacionamento! Se o cinema não é num shopping, esqueça! Você nunca vai conseguir estacionar bem e em tempo hábil.  Depois ficam aí fazendo campanha pra não acabar com os cinemas de rua. Nossa cultura não comporta mais cinemas como antigamente. Queriam salvar o Cine Excelsior em Juiz de Fora: um elefante branco, com arquitetura antiquada (não comporta a modernidade dos novos projetores, ar condicionado, sonorização, etc), impossibilidade de estacionamento e muitos, MUITOS lugares (1250 poltronas). Nunca seria possível encher uma sessão naquele lugar novamente. Perguntem ao administrador do Cinemark (que tem todo o aparato tecnológico e moderno) quão difícil é lotar uma sessão. Nem com os próprios reivindicadores seria possível lotar o Excelsior de novo. Saudosistas que me perdoem.

Venenos à parte, outro ponto fraco dos cinemas hoje em dia: a facilidade de baixar filmes com rapidez e qualidade na internet. Basta esperar um mês ou dois e, "voilà", posso assistir o filme no conforto do meu lar. Obrigada, Bram Cohen (inventor do BitTorrent)!

Último ponto: que m... é essa de filme dublado no cinema? Fiquei horrorizada quando fui ver Resident Evil e só tinha dublado. Meu Deus! O filme era pra maiores de 16 anos (supõe-se que todos desta idade já saibam ler) e é baseado em videogame. Ora, quem está acostumado com videogame, está familiarizado com o idioma inglês. Por acaso alguém aí não sabe o que é Game Over?! Ou será que estou condenada a ver "Maligno Residente"* o resto da vida?

Eu tinha até outro argumento: a massificação dos cinemas com os Blockbusters (filmes comerciais). Onde estão os filmes de qualidade? Mas esse é muito pessoal, vou deixar pra lá!

Por essas e outras é que tá muito complicado ir ao cinema hoje em dia. Adeus ao hábito semanal de pegar um cineminha e esgotar os filmes em cartaz.


* Trocadilho imbecil pra lembrar o quanto é imbecil ver filmes dublados

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Livia Maia

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